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Qual é o pior medo que o praticante de Jiu-Jitsu pode ter? September 12 2017

Tanque corrige as aluninhas: para o irmão de Tanquinho, perder o medo é evoluir. Foto: Arquivos GRACIEMAG.

Qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? Se jamais experimentou a inigualável sensação de vestir um kimono e aprender a vencer um cara 50kg mais pesado que você, ou mesmo se parou de treinar com medo de machucar as mãos, este é o primeiro medo que você deve vencer. Acredite, os benefícios da arte suave valem mil vezes os riscos.

Mas talvez esse nem seja o receio mais grave na vida de um estudante de Jiu-Jitsu.

Para o professor da nossa GMI Soul Fighters Bruno “Tanque” Mendes, irmão do campeão mundial Augusto Tanquinho, o medo de levantar o dedo e tirar dúvidas pode ser um grande inimigo do faixa-branca e azul.

“O Jiu-Jitsu vive sempre em constante evolução”, diz Bruno. “E a melhor forma de se manter atualizado é estudar, aprender, perguntar e procurar informações novas, na sua academia ou em bons seminários na sua cidade”.

Para Tanque, o aluno não precisa disparar dez perguntas por minuto para aprender mais. Contudo, calar uma dúvida com medo de incomodar pode ser um desperdício e tanto – inclusive para o professor e os colegas.

“Eu acho que o aluno deve perguntar sempre, e jamais ter medo de perguntar, na academia ou num seminário em outra equipe”, incentiva o faixa-preta Tanque. “É só fazer com educação, na hora certa. Se o professor, por exemplo, abrir a oportunidade para perguntas e respostas, mate suas curiosidades. Não ache que sua dúvida é boba. Pode apostar que há outras pessoas na sala com a mesma pergunta na cabeça. Caso a aula ou o seminário termine sem tempo para perguntas, aborde o professor e veja se ele se incomoda de tirar suas dúvidas.”

A dica vale até para detalhes na posição um pouco diferentes do que o mestre demonstrou, como Tanque lembra:

“Se você gosta de executar a posição ensinada de uma forma diferente, chame o professor e pergunte por detalhes. A verdade é que todo bom professor gosta de ser perguntado e indagado sobre aquilo que ele está compartilhando. A troca de informações é importante no Jiu-Jitsu, seja você um faixa-preta ou faixa-branca”, garante Bruno.

Para o faixa-preta, vale até perguntar se você pode levar a “matéria estudada” para rever em casa. “Também recomendo perguntar ao professor se ele se importa de você filmar algumas posições. Em caso de reposta negativa, pergunte se você pode anotar num caderninho. Ter um registro do que foi apresentado e discutido, e não só dos movimentos técnicos mas principalmente dos conceitos, vai ajudá-lo nas semanas seguintes quando for trabalhar na sua academia as posições aprendidas.”

E você, amigo leitor, tem algum medo na academia? Compartilhe com a gente, sem medo de ser feliz.

 

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Amaury Bitetti, astro do Jiu-Jitsu e ex-UFC, e o enterro da iguana September 11 2017

Bitetti em sua luta mais recente de Jiu-Jitsu, contra Roberto Traven em Abu Dhabi. Foto: Ivan Trindade/Gentle Art Media.

Amaury Bitetti é um campeão raro, daqueles capazes de amassar os companheiros no treino e depois quase sufocá-los de tanto rir depois, com suas histórias.

Primeiro campeão mundial absoluto de Jiu-Jitsu, no inaugural Mundial da IBJJF em 1996, no Rio de Janeiro, Amaury ganhou fama internacional ao lutar o UFC 9 e o UFC 26. Mas foi mesmo em terras cariocas que passou uma de suas mais curiosas aventuras.

A história, passada na praia de Ipanema, foi publicada originalmente na seção Nas Internas, nas páginas de nossa edição #53, em 2001. É o lutador quem conta:

“Eu estava com um amigo meu, correndo no calçadão da praia, quando veio chegando um outro parceiro que não via há um tempo, usando uma camisa verde escura que parecia ter uma estampa maneira desenhada”, relembra Bitetti. “Fui cumprimentá-lo um pouco empolgado, e dei aquele tapa amistoso nas costas para saudá-lo. De repente, percebo que ele está olhando para mim com uma cara meio esquisita, assustado…”

Pois quem ficaria assustado a seguir seria o faixa-preta da equipe Carlson Gracie:

“Eis que meu camarada então puxa do pescoço uma iguana, que eu tinha achado que era apenas uma estampa da camisa”, prossegue Amaury. “Sabe aqueles desenhos animados, em que o bicho apaga e fica com um pequeno xis no lugar do olho? Ficou assim, igualzinho”.

Mas Bitetti não é de desistir, e tratou de tentar salvar o paciente:

“Eu fiquei sem ação, e a bicha ali durinha. Tentei ainda reanimar o animal, fazendo umas massagens, mas não tinha jeito, o tapa tinha matado a iguana. Sem saber o que dizer, sugeri por fim: ‘Vamos ali na areia fazer um enterro simbólico para ela?'”

Uma ideia que não foi acatada pelo amigo, claro:

“O cara me respondeu então desesperado: ‘Que enterro que nada! O que vou falar para a minha namorada? Ela me deu o bicho hoje de manhã!’ Ele não estava entendendo nada. Só me restou sair de fininho, não tinha mais o que fazer. Puxa vida, mais um carma para eu pagar!”

E você, leitor, já passou por situação parecida?

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Copa Podio desafia: seu filho pode vencer o Menino de Gelo no Jiu-Jitsu? September 02 2017

Ice Cole e sua frieza na Copa Podio de Jiu Jitsu

Ice Cole e sua frieza na Copa Podio de Jiu-Jitsu. Foto: Divulgação

O americano Cole Abate, também conhecido como “Ice Cole” ou “Menino de Gelo”, jovem competidor frio e implacável, foi eleito o melhor lutador da divisão infantil na Copa Podio Manaus, em eleição feita entre os lutadores adultos que participaram do GP dos Médios.

O pequeno “king of kids”, que treina em San Antonio, no Texas, na academia do brasileiro Rodrigo Pinheiro, integrou a equipe de Espen Mathiesen, que duelou contra a equipe de Isaque Bahiense.

Apesar da derrota de sua equipe, o casquinha-grossa venceu suas duas lutas e foi escolhido como o melhor lutador do desafio kids de equipes, que reuniu dois times de seis crianças, entre brasileiras e americanas.

O Menino de Gelo impressionou tanto a organização que a Copa Podio quer ver mais, e propôs a Jeremy Cole, pai da ferinha, uma nova disputa na abertura do GP dos Pesados, em evento previsto para dezembro de 2017. E aí que entra o desafio, amigo leitor de GRACIEMAG. Será que sua academia tem algum pequeno pronto para encarar essa fria?

“Ice Cole” agora poderá enfrentar dois ou três garotos de países diferentes, com a mesma idade, peso e graduação. Para isso, a Copa Podio abriu um processo de seleção no site do evento, www.copapodio.com.

Dessa forma, meninos graduados apenas com a faixa-laranja (não serão consideradas outras graduções), com peso sem kimono até 38kg e idade entre 12 e 13 anos (completos até novembro de 2017) podem preencher o formulário no site da Podio e aguardar o retorno da organização, que deve ocorrer em torno de 30 dias.

Os formulários poderão ser enviados até 15 de setembro! Selecione sua ferinha e boa sorte!


Jiu-Jitsu em família: Conheça a Packer Team, nosso novo GMI em Santa Catarina July 10 2017

Nosso professor GMI Paulo Packer com seus alunos em tatame montado ao ar livre. Foto: Arquivo Pessoal

Nada melhor do que um ambiente familiar para criar segurança ao iniciar a prática esportiva, e é com esta premissa do Jiu-Jitsu de família para família que nós temos orgulho de anunciar a Packer Team como nosso mais novo GMI no sul do Brasil.

Liderada pelos professores Reinaldo Packer e Paulo Packer, pai e filho faixas-pretas de Jiu-Jitsu, a equipe Packer Team leciona na confortável academia Atitude, em Blumenau, Santa Catarina.

Além de um ambiente agradável, o praticante pode esperar o que há de melhor no Jiu-Jitsu competitivo e também o mais fino trabalho de quedas para o seu jogo, já que temos no professor Reinaldo, além da faixa-preta de Jiu-Jitsu, um mestre em judô, ao ostentar na cintura a faixa-coral em 6° dan, juntamente com o professor Paulo, que também é faixa-preta de judô, no 1° dan.

Tanto Reinaldo quanto Paulo, além de atenciosos professores, seguem firmes no ritmo de competição, com títulos e medalhas conquistadas nos principais torneios do Brasil. Para conferir, basta visitar as feras no Bairro Fortaleza, na rua Júlio Michel, nº 150.

Confira abaixo um pouco do jogo de Reinaldo e Paulo e procure sempre uma escola credenciada para aprender o melhor do Jiu-Jitsu!


Confira a aventura da faixa roubada de Renzo Gracie e aprenda com o astro do Jiu-Jitsu e do UFC June 19 2017

Renzo Gracie ensina em Gallerr

Renzo Gracie ensinando um de seus macetes prediletos no portal Gallerr. Foto: Divulgação

Em parceria com GRACIEMAG, o portal Gallerr está lançando um curso de Jiu-Jitsu rico em detalhes e cheio de histórias da modalidade, contadas pelo carismático Renzo Gracie, renomado professor de Jiu-Jitsu carioca radicado em Nova York e veterano do UFC.

Se você desejar ter acesso a todos os vídeos, basta se “matricular” em gallerr.com/academy uma vez, e aproveitar o conteúdo completo do portal.

Para marcar o lançamento do novo produto, Renzo Gracie abriu relembrando uma de suas histórias mais curiosas: o dia em que o professor precisou subir numa favela carioca para recuperar sua faixa-preta de estimação.

“Eles quebraram a janela do meu carro, e roubaram minha bolsa. Dentro da bolsa, estava minha faixa. Imediatamente eu pensei: ‘Não vai ter treino hoje, vou achar a minha faixa…'”, conta ele.

Acione as legendas em português clicando no CC, confira a história completa de Renzo e embarque nessa aventura ao lado do Gracie!


Qual é o tempo correto de um aluno até a faixa-preta? Professores debatem June 05 2017

[ Texto: Alexandre Fernandes Dantas, o Café – Professor de Jiu-Jitsu, veterano do UFC e líder da academia Black Team Jiu-Jitsu, no Leblon, RJ. É doutor em Ciência Política e Relações Internacionais e mestre em Direito.]

O Jiu-Jitsu brasileiro (BJJ) é organizado pela hierarquia, que se apresenta através das cores e graus da faixa que amarra o kimono.

Quanto mais escura for sua faixa, mais “privilégios” você terá na academia. Porém, esse status extrapola os limites do tatame. A moral, ou honra da faixa, acompanha o lutador na sua vida social, no seu trabalho etc. É uma marca indelével que o praticante de Jiu-Jitsu carrega consigo, mesmo que seja inconsciente.

E nessa longa e árdua escadaria, o último degrau é a faixa-preta – daí em diante o critério do merecimento desaparece e o critério da antiguidade é o único a valer.

Um professor de Jiu-Jitsu possui uma grande responsabilidade, já que ele, sozinho, avalia e avaliza o momento da graduação. Mas que critérios o mestre deve utilizar para averiguar quando o aluno deve passar de faixa?

Especialista em Jiu-Jitsu e Direito, Alexandre "Café" Dantas cita até Aristóteles para debater o tempo de treino até a faixa-preta. Foto: Gustavo Aragão/GRACIEMAG (2002)

Especialista em Jiu-Jitsu e Direito, Alexandre “Café” Dantas cita até Aristóteles para debater o tempo de treino até a faixa-preta. Foto: Gustavo Aragão/GRACIEMAG (2002)

A regra temporal utilizada sozinha pode, ao que parece, gerar iniquidade, pois estabelecer um tempo mínimo ou máximo para a graduação deixa de lado as aptidões e o esforço de cada um. Como dizia Aristóteles, em seu livro “Ética a Nicômaco”: “O justo é, por conseguinte, uma espécie de termo proporcional” ao mérito individual. Para o filósofo grego, “é origem de disputas e queixas quando iguais têm e recebem partes desiguais, ou quando desiguais recebem partes iguais”. O importante para o aluno, portanto, é não faltar.

Há, em muitas academias, a ocorrência de alunos conhecidos como “eternos faixas-azuis”, aqueles que vão e voltam, perdendo boa parte da motivação no caminho. São praticantes que muitas vezes não percebem que estão apenas adiando seu progresso. Ficam longe um bom tempo, e quando retornam, têm enorme dificuldade – perdem no gás, no timing das posições e até na questão da confiança no próprio jogo. Nesse caso, o professor precisa que o aluno atente para o quesito assiduidade, que é muito valioso para quem quer passar de faixa.

Outro aspecto importante no assunto refere-se aos campeonatos de Jiu-Jitsu. De fato, o aluno competidor evolui mais rapidamente que o aluno que pratica apenas na academia. Isso ocorre pelos seguintes motivos: a preparação e busca por melhores resultados faz com que o atleta treine mais forte; a adrenalina da competição e o ato de se testar contra adversários de outras academias leva, naturalmente, à melhora técnica e à pujança. Se o caro leitor tiver a oportunidade, não deixe de experimentar a sensação de se testar num campeonato. Comece com um pequeno, na sua cidade.

A faixa-preta, no fim, vem por puro merecimento do praticante. Existe, claro, uma grande variação de avaliação entre as diversas escolas de Jiu-Jitsu ao redor do mundo, mas os professores têm critérios semelhantes como base para graduar um pupilo, como por exemplo: lealdade; assiduidade; conhecimentos técnicos específicos para a faixa; domínio da defesa pessoal; modo de se portar dentro da academia; higiene pessoal; honrar o nome da academia e do Jiu-Jitsu; ser um bom cidadão, etc. Esses critérios adotados pelo professor são de suma importância, afinal, aquele que recebe uma graduação, seja ela qual for, carrega de maneira indireta o nome de seu mestre.

Sendo assim, por se tratar de uma graduação máxima, a faixa-preta deve ser uma condecoração advinda não somente do preenchimento de requisitos objetivos, como tempo ou medalhas, mas também da conquista de alguns requisitos subjetivos, que variam de acordo com a academia. Um faixa-preta, acima de tudo, deve ser um exemplo a ser seguido, daí a grande responsabilidade daquele que promove uma graduação, seja ela qual for – afinal, mesmo o faixa-branca está, a cada grau alcançado, cada vez mais próximo de se tornar faixa-preta.

É preciso lembrar, porém, que alguns praticantes vêm protagonizando episódios lamentáveis para a nossa amada arte marcial, graduando a si próprios ou colocando graus na faixa-preta antes do tempo necessário. Tal atitude pode ser classificada como absurda, vergonhosa e imoral, que nos remete ao clássico “Crítica da razão prática”, de Kant, onde o filósofo nos lembra que “a lei moral, acessível a todos os seres racionais, possui uma dignidade em si e nos dá simplesmente um mandamento”. Quem não consegue aguardar a hora da faixa, portanto, não está roubando apenas tempo, está roubando sua dignidade.

Portanto, a mensagem ao aluno novato ou ao aluno mais antigo é idêntica: saiba valorizar sua caminhada. Não se aflija, não peça faixa e, a mais importante, jamais use uma faixa ou grau sem merecer de fato e de direito. Tudo tem seu tempo, evite ser aquele praticante angustiado, que já começa a treinar querendo saber quando vai “se formar”. Divirta-se aprendendo.

E fica o conselho: busque saber a procedência da faixa que seu professor ostenta na cintura e pesquise no site da IBJJF se ele é matriculado. Seu aprendizado está diretamente ligado a quem é seu mestre, qual é sua índole e, principalmente, qual é o caráter dele. Se ele caminhou corretamente e lutou pela faixa-preta dele do jeito que deve ser, há uma grande probabilidade de que seus alunos recebam as devidas graduações nos momentos apropriados. Agora, se ele é um fanfarrão, aí, meu amigo, você acabará visto como uma classe inferior de faixa-preta.

Comece no caminho certo. Pois, no dia glorioso em que você for enfim graduado e alguém perguntar, “Quem lhe deu a faixa-preta?”, você poderá estufar o peito e responder com orgulho.

 

 

>>>> Com quantos anos de treino o aluno deve ganhar a faixa-preta? GRACIEMAG perguntou e mestres e professores opinaram:

Mestre Carlos Gracie Jr:
“No fim isso sempre vai depender da assiduidade do aluno, mas a IBJJF tem um tempo mínimo para o praticante poder tornar-se faixa-preta. Se for um camarada que treina sempre, com consistência, sem faltar aulas, ele pode pegar a faixa-preta depois de cinco anos e meio, seis. Pelas regras da IBJJF, o tempo mínimo para ficar na faixa-azul é de dois anos, na roxa mais um ano e meio, e mais um ano na faixa-marrom. Com mais um ano e pouco de faixa-branca em média, esse tempo somado seria de cinco anos e meio, seis anos. Já se ele começar a treinar Jiu-Jitsu quando criança, ele só pode conquistar a faixa-preta depois dos 19 anos e meio de idade.”

Mestre Carlos Rosado:
“Acredito que cada aluno tem seu tempo. Uns vão aprender mais rápido, outros podem demorar um pouco mais a pegar o jeito, mas todos vão chegar lá, se não desistirem. O maior trunfo do Jiu-Jitsu é que não requer talento, como o futebol. Basta treinar para evoluir. Costumo dizer que não é o aluno que pede a faixa, e sim a faixa que pede o aluno. E a faixa só requisita o aluno quando ele está dando conta plenamente da graduação. Já uma faixa dada prematuramente acaba se tornando um fardo: todo praticante de Jiu-Jitsu que ganha uma faixa da qual não dá conta está fadado a nunca mais aparecer na academia, e parar de treinar de vez.”

Rilion Gracie: “É preciso paciência, quem burla o tempo está se enganando”. Foto: Ray Santana/GRACIEMAG.

Professor Fernando Tererê:
“No meu ponto de vista, a média geral para pegar a faixa-preta é de uns nove, dez anos de treino. Acho que com uns dez anos o praticante aprendeu bem e pode ser um bom faixa-preta. Porém, alguns competidores de ponta, aqueles que vencem campeonatos ano a ano, podem conquistar a faixa em seis, sete anos.”

Professor Júlio Cesar Pereira:
“O tempo de um praticante até a faixa-preta é uma trajetória individual, e tem a ver com os próprios objetivos pessoais de cada um. Tem praticante que sonha em ser campeão mundial e treina o triplo que os colegas, há outros que só buscam qualidade de vida e aparecem semanalmente, e até quem sonha em aprender tudo detalhadamente para um dia ser professor, ter sua academia. A meu ver, não dá para dizer ao aluno que daqui a cinco ou seis anos ele vai se tornar faixa-preta.”

Professor Muzio De Angelis:
“Na minha academia no Rio, o tempo médio até a faixa-preta costuma ser de cerca de sete anos, se o aluno for assíduo, obviamente. Um ano na branca, dois na azul, dois anos na roxa e dois anos na marrom, em média. Acho que sete anos é um bom prazo mínimo. Inclusive gosto de numerologia e vejo o número 7 cercado de simbolismos. São sete os dias da semana, sete as notas musicais, sete as cores do arco-íris e Deus teria feito o mundo em sete dias com o descanso, segundo a Bíblia, além de diversas outras ocorrências. Se de acordo com os sábios o 7 é o número da perfeição, sete anos até a faixa-preta me parece um prazo adequado.”

Mestre Rilion Gracie:
“Tudo na vida é questão de empenho, você não pode ganhar um diploma sem ir à faculdade. A faixa-preta depende das horas de treino e da intensidade que aquele aluno será capaz de dedicar ao dojô. Os chamados ‘ratos de academia’ certamente vão chegar à graduação mais rapidamente. Ou seja, não é uma questão de tempo desde o dia em que você se matricula, mas uma questão de tempo dedicado. Em dezembro passado, graduei meu filho Roggan como faixa-preta. Foi uma conquista puramente dele. Se dependesse só do rendimento nos treinos, eu já poderia ter dado a faixa há dois anos, mas acho que a faixa-preta não depende apenas da vontade do professor, há outros aspectos. No caso dele, os próprios colegas de treino e demais professores da academia começaram a cobrar a faixa pelo que ele demonstrava diariamente. Eu apenas a amarrei na cintura dele, juntamente com o Renzo, mas estava todo mundo aferindo o nível dele e pleiteando a graduação. A pior coisa é o aluno burlar o tempo, por falta de paciência, e pegar faixa antes da hora. Não adianta eu aparentar ser uma coisa que na verdade eu não sou – essas pessoas estão enganando a si mesmas.”

*** Este artigo foi publicado originalmente nas páginas de GRACIEMAG #239. Assine já a revista para não perder os melhores artigos sobre sua arte marcial favorita, aqui.


Rafa Mendes: “Minha carreira de competidor se encerra, mas meu legado no Jiu-Jitsu é para sempre” May 22 2017

Rafael Mendes em uma de suas vitórias sobre Rubens Cobrinha. Foto: Ivan Trindade/GRACIEMAG

Aos 27 anos e muitas conquistas no Jiu-Jitsu, o astro da AOJ Rafael Mendes informou que está encerrada sua carreira como competidor. Às vésperas do Mundial de Jiu-Jitsu, que acontece no início de junho, e a proximidade do fim das inscrições para o torneio, a procura pelo nome de Rafa Mendes na lista atiçou a curiosidade do mundo do Jiu-Jitsu, e o próprio Rafael veio a público com o comunicado.

Em vídeo produzido pelo seu patrocinador, a fera relembra suas conquistas no Jiu-Jitsu, com seis títulos mundias na faixa-preta, duas conquistas no ADCC e outros feitos nas faixas coloridas, e deixa claro que seu foco agora será sua academia e a atenção à família.

“Construí meu legado com trabalho duro e integridade. Minha carreira como competidor se encerra agora, mas meu legado viverá para sempre”, diz Rafa no vídeo.

Confira abaixo e poste nos comentários o que você acha da aposentadoria da fera!


Sebastian Rodriguez Valle, instrutor de 38 anos do CIB, falece no Rio April 15 2017

Sebastian Valle, instrutor carioca de 38 anos. Foto: Acervo Pessoal.

Sebastian Valle, instrutor carioca de 38 anos. Foto: Acervo Pessoal.

Se o valor de um bom professor é medido pela quantidade de alunos gratos, Sebastian Rodriguez Valle foi um senhor mestre.

Jovem sensei carioca de 38 anos, Sebastian deixou família e alunos precocemente, nessa semana, quando teve um mal súbito e morreu dormindo. Ele era faixa-preta e professor titular de karatê-dô do tradicional Clube Israelita Brasileiro (CIB), em Copacabana, e também faixa-roxa de Jiu-Jitsu, modalidade que fazia questão de incluir em suas aulas semanais de defesa pessoal aos sábados, no clube.

Assim era Sebastian, sempre com a cabeça aberta para diferentes técnicas. O professor tinha orgulho de se apresentar como discípulo do mestre Luiz Rodolfo Ortiz. Sebastian fundou, junto com outros dois professores, o atual espaço para aulas de diversas modalidades de luta no CIB, usando como marca a expressão em japonês que dá nome à área de treino, mas também ao local onde os monges zen-budistas fazem sua meditação e que, como tal, deve ser respeitado: Dojô.

A meditação, aliás, era algo que Sebastian sempre incluía na abertura de suas aulas, depois de um aquecimento “puxado”, como lembra Gustavo Iglesias, 37 anos. “Uma das coisas que ele passava muito em aula era uma preocupação em entender a postura mental do lutador de Jiu-Jitsu, de forma semelhante ao que se faz no karatê, e também no kung fu, aikido etc”, diz o médico.

Sebastian teve início relativamente tardio nas artes marciais, o que não o impediu de alcançar importantes graduações e transitar entre modalidades diversas em relativamente pouco tempo. Apesar de ter feito “um ou dois anos” de Jiu-Jitsu na adolescência, como conta o também amigo Thiago Musa, foi só no ano em que completou 20 anos de idade, 1999, que Sebastian começou a aprender karatê, com o sensei Ortiz, no clube Olympico.

E foi no mesmo Olympico que Sebastian teve contatos com a turma do BJJ local, segundo conta Gustavo. Na época, Sebastian estava cursando Desenho Industrial na Escola de Belas Artes da UFRJ e aceitou a encomenda de um trabalho de design do pessoal do Jiu-Jitsu, possivelmente a elaboração de um logotipo. O pagamento? Em aulas.

O talento de Sebastian para o desenho era objeto de admiração dos amigos desde os primeiros anos de sua vida estudantil, quando os personagens criados por ele ganhavam vida e proliferavam pelas páginas dos cadernos dos colegas. Em geral, a pedido dos próprios.

Um desses personagens era o Preguinho, um moleque arteiro de cabeça alongada e chata que fazia as vezes de super-herói nas horas vagas, espécie de alter ego e dileto representante do humor ácido e extremamente inteligente de “Sebá”, como era chamado o sensei nos primeiros anos na escola.

Foi esse mesmo talento para o traço que motivou, ao menos oficialmente, a ida do já faixa-preta para Barcelona, em 2005, para cursar Ilustração pela Escola Massana. A criatividade que ele usava ao desenhar e seu perfil questionador mostravam-se presentes também na sua história e na sua capacidade de se reinventar. Na Catalunha, Sebastian trabalhou em cassino como crupiê por quase dois anos, atuou como fotógrafo, foi segurança e deu aulas de Jiu-Jitsu e defesa pessoal, como conta Thiago.

E teve contato com Pedro Duarte, professor de Jiu-Jitsu discípulo de Murilo Bustamante. Com Duarte, Sebastian voltou a treinar BJJ, com aulas de submission e MMA inclusive.

Pouco depois de sua volta ao Brasil, mais precisamente ao Rio de Janeiro, Sebastian criou um grupo, formado por amigos, que se reunia para treinar duas a três vezes por semana, no playground do prédio onde morava o pai de um deles, o do Thiago, hoje com 35 anos de idade e amigo do nosso sensei desde os 15.

“No início de 2013, ele tinha voltado de Barcelona e, precisando de grana, ofereceu de dar aulas de karatê e Jiu-Jitsu para os amigos, e alguns de nós se cotizaram para comprar um tatame desmontável”, conta Gustavo. O grupo, que chegou a nove pessoas, carinhosamente se deu o nome de “Faixa-Branca”.

O resto é história. A equipe Faixa-Branca durou um ano e meio. Sebastian voltou a treinar karatê, fazia traduções, dava aulas de inglês e espanhol, e começou a ter vontade de montar o próprio dojô, o que ele conseguiu fazer com sucesso há pouco mais de um ano no CIB. “O sonho para ele era viver de artes marciais”, conta Gustavo.

Seus ensinamentos inspiravam, para muito além da luta propriamente dita, quem teve a oportunidade de passar pelo seu tatame. “Ele tinha uma postura de sensei, ajudou muita gente, até mesmo alunos com problema de alcoolismo”, relata Thiago. Essa atitude equilibrada era também a de quem nunca gostou de injustiças, as sociais ou as que envolviam pessoas próximas, e posicionava-se claramente sobre elas, mas sem nunca perder a ternura. Era um sujeito intenso, amoroso e cheio de vida.

Sebastian Rodriguez Valle foi enterrado na manhã deste sábado, 15 de abril, no São João Batista. Deixa dois sobrinhos, afilhados, duas irmãs, a namorada, com quem morava no Grajaú, amigos, amigos-irmãos, alunos e fãs. Todos muito saudosos de suas lições, seu carinho, seu humor e sua inteligência. Até logo, Sebastian.


Jiu-Jitsu: Líder da Top Brother Sul, GMI Matheus Zimmermann está de casa nova April 13 2017

Zimmermann com sua turna na nova casa da Top Brother Sul. Foto: Divulgação

Professor da nossa GMI Top Brother Sul, o faixa-preta Matheus Zimmermann segue na missão de proporcionar ao seus alunos a melhor experiência possível nas aulas de Jiu-Jitsu.

Mesmo com posições modernas, boas dicas e acompanhamento ferrenho na evolução de seus pupilos, o professor resolveu mudar também no quesito estrutura, para melhor atender seus protegidos e também aos novos alunos que estão por vir na temporada.

Para tal, Zimmermann mudou de endereço, e agora leciona a arte suave na Rua Santos Dumont, 368, ainda na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul.

“Inaugurei nesta semana minha nova academia aqui em Pelotas. Graças a Deus consegui sair do espaço anterior e montei uma estrutura pra atender melhor os meus alunos”, comemorou a fera.

Não deixe de fazer um visita ao nosso associado Matheus Zimmermann. A Top Brother Sul estará pronta para lhe receber.

Top Brother Sul
Novo endereço: Rua Santos Dumont, 368 – 2º Andar – Pelotas/RS
www.topbrothersul.com

Novas instalações da Top Brother Sul. Foto: Divulgação

 


Enquete: qual foi a melhor safra de campeões mundiais de Jiu-Jitsu até hoje? March 24 2017

A célebre safra de campeões do Mundial de Jiu-Jitsu 2004, no Tijuca: faixas-pretas para ninguém botar defeito. Foto: Gustavo Aragão/GRACIEMAG

A célebre safra de campeões do Mundial 2004, no Tijuca: faixas-pretas para ninguém botar defeito. Foto: Gustavo Aragão.

Há alguns anos nas páginas da revista GRACIEMAG, nossa equipe chamou o leitor para eleger a melhor safra de faixas-pretas campeões mundiais da história, desde o primeiro Mundial da IBJJF, em 1996, até recentemente.

A “seleção” de Jiu-Jitsu de 2004 foi eleita pelos fãs como a mais respeitável: teve Ronaldo Jacaré como campeão absoluto, e ainda o astro do UFC Fabricio Werdum, mais Roger Gracie, Xande Ribeiro, Bráulio Estima, Marcelinho Garcia, o passador de guarda Daniel Moraes, Mário Reis, Fernando Vieira e o peso-galo Gabriel Moraes.

Já a de 1996, a do primeiro Mundial, foi a segunda mais votada, com a de 1999 conquistando um honroso terceiro lugar na enquete. Mas dê uma olhada na lista de 2012, amigo leitor. E na de 2013! Ou na do ano 2000! Pelo visto, eleger a melhor safra dos Mundiais é ainda mais difícil que eleger a melhor seleção brasileira de futebol de todos os tempos, não concorda?

Vote então: para você, qual foi a melhor seleção masculina de campeões mundiais do Jiu-Jitsu? Comente sua escolha!

Mundial 1996: Amaury Bitetti, Zé Mario Sperry, Ricardo Libório, Fabio Gurgel, Roberto Roleta, Roberto Gordo, Paulo Barroso, Royler Gracie, Helio Sonequinha e Marcos Barreto;

Mundial 1997: Amaury Bitetti, Luiz Guilherme Guigo, Zé Mario Sperry, Fabio Gurgel, Roberto Roleta, Saulo Ribeiro, Marcio Feitosa, Royler Gracie, João Roque e Robson Moura;

Mundial 1998: Zé Mario Sperry, Roberto Traven, Roberto Roleta, Saulo Ribeiro, Rafael Gordinho, Fernando Vasconcelos, Leonardo Vieira, Royler Gracie, Robson Moura e Marcelo Pereira;

Mundial 1999: Rodrigo Comprido, Roberto Traven, Leonardo Leite, Murilo Bustamante, Saulo Ribeiro, Alexandre Paiva, Vitor Shaolin, Royler Gracie, Robson Moura e Omar Salum;

Mundial 2000: Rodrigo Comprido, Leonardo Leite, Saulo Ribeiro, Fabio Gurgel, Roberto Roleta, Fernando Tererê, Vitor Shaolin, BJ Penn, Robson Moura e Omar Salum;

Mundial 2001: Fernando Margarida, Márcio Corleta, Fernando Boi, Fabio Gurgel, Vitor Shaolin, Marcio Feitosa, Frédson Paixão, Ricardo Vieira e Bernardo Pitel;

Mundial 2002: Marcio Pé de Pano, Gabriel Vella, Fabio Leopoldo, Saulo Ribeiro, Delson Pé de Chumbo, Marcio Feitosa, Frédson Paixão, Carlos Escorrega e Marcos Norat;

Mundial 2003: Marcio Pé de Pano, Fabricio Werdum, Eric Wanderley, Jefferson Moura, Cassio Werneck, Fernando Tererê, Daniel Moraes, Mário Reis, Carlos Escorrega, Bibiano Fernandes e Felipe Costa;

Mundial 2004: Ronaldo Jacaré, Fabricio Werdum, Roger Gracie, Xande Ribeiro, Bráulio Estima, Marcelo Garcia, Daniel Moraes, Mário Reis, Fernando Vieira e Gabriel Moraes;

Mundial 2005: Ronaldo Jacaré, Chiquinho de Cuiabá, Roger Gracie, Robert Drysdale, André Galvão, Celsinho Venícius, Frédson Paixão, Bibiano Fernandes e Samuel Braga;

Mundial 2006: Xande Ribeiro, Gabriel Napão, Roger Gracie, Bráulio Estima, Marcelo Garcia, Celsinho Venícius, Rubens Cobrinha, Bibiano Fernandes e Daniel Otero;

Mundial 2007: Roger Gracie, Rafael Lovato Jr, Xande Ribeiro, Romulo Barral, Lucas Leite, Lucas Lepri, Rubens Cobrinha, Robson Moura e Bruno Malfacine;

Mundial 2008: Xande Ribeiro, Roger Gracie, Braga Neto, André Galvão, Sergio Moraes, Celsinho Venícius, Rubens Cobrinha, Samuel Braga e Caio Terra;

Mundial 2009: Roger Gracie, Gabriel Vella, Bráulio Estima, Romulo Barral, Marcelo Garcia, Michael Langhi, Rubens Cobrinha, Guilherme Mendes e Bruno Malfacine;

Mundial 2010: Roger Gracie, Rodrigo Cavaca, Bernardo Faria, Tarsis Humphreys, Marcelo Garcia, Michael Langhi, Rafael Mendes, Pablo Silva e Bruno Malfacine;

Mundial 2011: Rodolfo Vieira, Braga Neto, Leonardo Nogueira, Sergio Moraes, Marcelo Garcia, Gilbert Durinho, Rafael Mendes, Gui Mendes e Bruno Malfacine;

Mundial 2012: Marcus Vinicius Buchecha, Leonardo Nogueira, Rodolfo Vieira, Romulo Barral, Otávio Sousa, Leandro Lo, Rafael Mendes, Gui Mendes e Bruno Malfacine;

Mundial 2013: Marcus Vinicius Buchecha, Bernardo Faria, Rodolfo Vieira, Romulo Barral, Otávio Sousa, Leandro Lo, Augusto Tanquinho, Gabriel Moraes e Caio Terra;

Mundial 2014: Marcus Vinicius Buchecha, Rodolfo Vieira, André Galvão, Romulo Barral, Leandro Lo, Lucas Lepri, Rafael Mendes, Guilherme Mendes e Bruno Malfacine; 

Mundial 2015: Bernardo Faria, Gabriel Fedor, Xande Ribeiro, Leandro Lo, Claudio Calasans, Michael Langhi, Rafael Mendes, Paulo Miyao e Bruno Malfacine;

Mundial 2016: Marcus Vinicius Buchecha, Leonardo Nogueira, André Galvão, Leandro Lo, Otávio Sousa, Lucas Lepri, Rafael Mendes, Paulo Miyao e Bruno Malfacine.

Mundial 2017: ?

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