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Você prefere ser um competidor ou um verdadeiro esportista no Jiu-Jitsu? June 08 2017

Em tempos de lutadores falastrões no UFC e atletas que passam dos limites do próprio corpo na busca pela vitória, o professor Cleiber Maia, nosso GMI no Rio de Janeiro, escreveu o seguinte artigo buscando promover uma reflexão. Confira e comente o que achou.

Você prefere ser considerado um verdadeiro esportista ou um grande competidor?

Antes de ler este artigo, responda para si mesmo essa pergunta inicial e depois responda em público a pergunta no fim do texto.

Eu admiro quem se permite aventurar em seus limites sem perder a conexão com a sua própria essência. Ter responsabilidade enquanto está comprometido com um processo de evolução virtuoso é uma condição fundamental para  se considerar um verdadeiro esportista.

Entretanto, as mesmas paixões que nos impulsionam a obter grandes vitórias, e que são comuns à natureza humana, podem comprometer nossa noção de fair-play, de jogo justo.

Reavalie a forma como costuma lidar com a competitividade se você de alguma forma é tomado por:

* Obsessão pelo sucesso

* Medo do fracasso

* Sede de vingança

* Acomodação na manutenção de um status já conquistado

* Ambição pelo poder

* Incapacidade de lidar com o julgamento alheio ou até mesmo com o próprio

* Desconsideração ao mérito alheio

* Desejo de ostentar uma situação privilegiada

* Negação em vivenciar de peito aberto situações inusitadas

* Falta da noção do que é suficiente para você

* Omissão no compartilhamento do seu conhecimento

* Vergonha ao lidar com suas imperfeições

* Desespero na hipótese de perda do controle.

E aí vai a pergunta final do texto:

Você lembra de mais alguma atitude passível de alguém que pode até vir a ser um campeão nos tatames, mas não na vida?

Lembre-se: ser um artista marcial é muito mais do que ter habilidades técnicas e passar a guarda dos adversários com competência. Oss!

Espirito esportivo no Jiu Jitsu entre criancas Foto Divulgacao

Uma imagem que representa desde cedo a essência do verdadeiro esportista. Foto: André Horta/ Divulgação


Está faltando um grande vilão no UFC? September 05 2014

 

Tito Ortiz Foto Al Powers Zuffa LLC via Getty Images

O sempre polêmico Tito Ortiz em foto de Al Powers/Zuffa LLC via Getty Images

“Você não conhece o poder do Lado Negro da Força” bradava Darth Vader com sua característica voz robotizada em “O Império Contra Ataca” ao destacar as vantagens de assumir seu lado malvado.

A literatura, o cinema e a televisão nos proporcionaram vários personagens que, assim como Vader, eram tão carismáticos em sua vilania que se tornaram muito mais populares do que os heróis que enfrentavam.

Não dá para negar que, apesar das maldades perpetradas por eles, secretamente torcemos por Dom Corleone (O Poderoso Chefão), Conde Drácula (Drácula), Walter White (Breaking Bad), Coringa (Batman), Iago (Othelo) e Hanibal Lecter (O Silêncio dos Inocentes). Ou, no mínimo, esboçamos um sorriso enquanto torcemos para que sejam derrotados. A maioria deles combina inteligência e ironia à sua amoralidade e nos divertem ao repudiarem descaradamente as amarras éticas que restringem os mocinhos clássicos.

Com o anunciado afastamento de Chael Sonnen, o UFC perde seu mais carismático “vilão”. Ninguém incorporou tão bem um personagem malvado como este infame americano. Para alavancar sua popularidade, provocou lutadores das mais diferentes categorias, fez piadas machistas, ironizou a miséria no Brasil, superestimou suas qualidades. Nem mulheres (de lutadores e ring girls) ou crianças (pobres do Brasil) foram poupadas. Sagaz e dono de um humor ácido, Sonnen tirava da cartola frases como: “faço o Anderson (Silva) ficar de costas no chão mais rápido do que uma atriz pornô com problemas financeiros”. Impagável! E assim, mesmo sem ser um lutador excepcional, conseguiu se tornar o inimigo mortal do maior lutador de todos os tempos, Anderson Silva.

Recentemente, Sonnen quis melhorar sua imagem no Brasil, mostrando seu lado mais afável e confessando que encarnava propositalmente um tipo odioso para conseguir boas lutas. A estratégia, mais uma vez, foi bem sucedida e não é difícil acharmos fãs daquele que alguns anos atrás era fervorosamente odiado. Para os mais questionadores, fica a dúvida: estaria ele fingindo antes ou está fingindo agora? Nunca saberemos.

Todavia, Sonnen não foi o primeiro grande vilão da era moderna do UFC. Esse privilégio cabe a Tito Ortiz o “Bad Boy de Huntington Beach”, que superou até mesmo o insano brigão Tank Abbott em estilo, técnica e língua afiada.

O marrento Tito sabia provocar seus oponentes e propiciar momentos perversamente divertidos. Eu me lembro de vê-lo comemorar vitórias com uma mímica na qual simulava cavar uma vala e deitar o corpo do atleta derrotado. Foi impossível não sorrir quando Tito foi à pesagem de sua luta contra Lyoto Machida usando uma camiseta com os dizeres “Dana is my bitch” (“Dana é minha vadia”, em tradução livre) para provocar o chefão do UFC Dana White. Quem não adoraria ter a coragem de fazer isso com um patrão de quem não gosta?

Na galeria dos “malévolos”, também merece destaque o ex-campeão peso pesado Brock Lesnar. Aproveitando sua experiência no pro-wrestling (uma “luta livre coreografada”, como as que passavam no Brasil na década de 70), o gigantesco Brock dava um show no papel de bandido. Gritava, cuspia para a câmera, desrespeitava oponentes e patrocinadores, estimulava a plateia a vaiá-lo. Pessoalmente nunca gostei dele, não pelas provocações, mas por achar que só tinha tamanho e não era um artista marcial de verdade.

Quando eu assistia a Lesnar entrando no octógono, não conseguia parar de pensar nas presepadas de Hulk Rogan ou Ted Boy Marino, ícones do “telecatch”.

Com o afastamento de Sonnen, o papel de malvado do UFC pode acabar sendo desempenhado pela campeã Ronda Rousey. Não deixa de ser uma ironia. Contratada para ser a “princesa do MMA feminino” pois combinava beleza, popularidade e qualidade técnica, Ronda viu seu público voltar-se contra ela devido a sua participação no reality show “The Ultimate Fighter”. Durante o programa, a ex-judoca olímpica mostrou-se desequilibrada, agressiva e levemente psicótica. Após sua vitória contra a rival Miesha Tate, Ronda recusou a apertar a mão da oponente derrotada e a vaia do público foi estrondosa. Sem se abalar, Ronda seguiu a filosofia de Maquiavel: é melhor ser temida do que ser amada. De princesa a rainha má, sem perder a majestade.

Como cantam os Rolling Stones em “Sympathy for the Devil”, assim como todos os pecadores são santos, até o Diabo merece alguma simpatia. Ame-os, odeie-os ou ame odiá-los, os “caras maus” dão um sabor especial ao esporte.

E você, o que acha? Falta um grande vilão para esquentar as coisas no UFC hoje, ou Sonnen e Tito não deixaram saudades?

(Mauro Ellovitch escreve todo mês em GRACIEMAG. Esta coluna foi publicada na edição #209 de sua revista de Jiu-Jitsu favorita. Gostou? Assine já, clicando abaixo.)

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Bellator 120: Rampage vence e Tito Ortiz finaliza no katagatame May 18 2014

Rampage venceu King Mo na decisão unânime dos jurados. Foto: Esther Lin

Rampage venceu King Mo na decisão unânime dos jurados. Foto: Esther Lin

Realizado nesse sábado 17 de maio, o Bellator 120 trouxe dois ex-campeões do UFC, os bad boys Quinton Rampage Jackson e Tito Ortiz para abrilhantar o evento.

Aos 35 anos, Rampage não deu mole e trocou bem com o nocauteador King Mo, para vencer na decisão unânime dos jurados. O wrestler chegou a 35 vitórias na carreira, com 11 derrotas. Mesmo com o mau resultado, o Bellator decidiu marcar a revanche de Mo contra Emanuel Newton, atual campeão dos meio-pesados.

No coevento principal, Will Brooks e Michael Chandler entraram em rota de colisão no peso leve. O ótimo wrestler da American Top Team despachou Chandler na decisão dividida. Com a vitória, Brooks se tornou o campeão interino da categoria, dominada por Eddie Alvarez.

Tito Ortiz comemora vitória  por finalização. Foto: Esther Lin

Tito Ortiz comemora vitória por finalização. Foto: Esther Lin

Outra vitória que chamou atenção foi a de Tito Ortiz sobre Alexander Shlemenko, campeão dos médios na organização. Em câmera lenta, o Bad Boy de Huntington Beach engoliu Shlemenko com uma queda, e uma pressão sufocante no katagatame para terminar o combate aos 2min27s do primeiro assalto.

Veja os demais resultados do evento no Mississippi.

Bellator 120

Landers Center, Southaven, Mississippi

17 de maio de 2014

Quinton Rampage venceu King Mo na decisão unânime dos jurados
Will Brooks venceu Michael Chandler na decisão dividida dos jurados
Tito Ortiz finalizou Alexander Shlemenko com um katagatame aos 2min27s do R1
Alexander Volkov estrangulou Blagoi Ivanov pelas costas a 1min08s do R2
Michael Page nocauteou Ricky Rainey aos 4min29s do R1
Cheick Kongo nocauteou Eric Smith aos 4min35s do R2
Marcin Held finalizou Nate Jolly com um armlock aos 4min20s do R1
Fabricio Guerreiro finalizou Shahbulat Shamhalaev com uma kimura aos 3min29s do R1
Goiti Yamauchi venceu Mike Richman por decisão unânime dos jurados
Austin Lyons venceu Zach Underwood por decisão unânime dos jurados
Mike Wessel nocauteou Justin Frazier aos 4min28s do R1
Ben Brewer nocauteou Andy Uhrich aos 2min40s do R2
Codie Shuffield estrangulou Anthony Lemon pelas costas aos 2min15s do R2