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Cyborg comenta caso do “falso faixa-preta”: “Acredito que os dois aprenderam” June 29 2015

Cyborg, em foto de John Lamonica.

Roberto Cyborg em ação no Jiu-Jitsu. Foto: John Lamonica/GRACIEMAG.

No fim da semana passada, os leitores do GRACIEMAG embarcaram na polêmica e comentaram o caso do “falso faixa-preta” expulso de uma academia de Jiu-Jitsu.

O caso ocorreu em Miami Beach, na Flórida, quando o professor americano Ruben Alvarez desmascarou um aluno que aparecera para treinar com uma faixa-preta.

Nas redes, o professor acabou sofrendo críticas pelo vídeo (relembre aqui), em especial por sua divulgação e pelo esculacho no aluno, que acabou sendo expulso.

Em carta aberta enviada ao GRACIEMAG.com, o craque do Jiu-Jitsu Roberto Abreu “Cyborg”, professor de Ruben, comentou o ocorrido, e fez questão de analisar todos os lados da situação. Confira a posição do faixa-preta brasileiro:

“Tenho de comentar sobre o vídeo que foi postado por um dos meus faixas-pretas, o Ruben Alvarez, que leciona na nossa escola afiliada Black House, em Miami Beach. Eu vejo as pessoas com opiniões diferentes sobre o que aconteceu, e vejo esse acontecimento como uma grande lição para a comunidade do Jiu-Jitsu.

“Em primeiro lugar, é claro que o cara estava completamente errado ao fingir ser um faixa-preta, mostrando algum transtorno ao tentar fazer algo tão bobo, sem conhecimento ou base técnica acerca do esporte. É difícil julgar a reação do Ruben porque existem dois lados da história.

“O primeiro lado é sobre o Ruben e quem ele é. Para quem não o conhece, Ruben Alvarez é um faixa-preta novo e super esforçado, dedicou sua vida para conquistar seu espaço nesse esporte e agora está começando a compartilhar os seus ensinamentos. Ruben treina comigo há sete anos, é uma ótima pessoa, vindo de uma família sensacional, e é apaixonado pelo Jiu-Jitsu. Está no início de sua carreira. Na visão dele, foi muito ofensivo ver um cara mentindo e fingindo ser um faixa-preta, algo que ele, Ruben, trabalhou muito para ser. Mesmo assim, é claro que ninguém tem o direito de humilhar ou desrespeitar alguém como ele fez, mesmo nessas circunstâncias.

“O segundo lado é que, infelizmente, quando você recebe a faixa-preta, torna-se também um faixa-branca novamente. Com a faixa nova não vem maturidade ou experiência de vida. Essas coisas aprendemos com o passar dos anos, com as decisões certas e erradas que nos fazem crescer como mestres. Todos nós sabemos que quando somos jovens não medimos muito as consequências das nossas atitudes. Eu não o julgo por defender a honra e os princípios do esporte que ama.

“Sou muito firme e direto com os meus alunos quando se trata de postura e respeito com o próximo. Ser humilde e respeitoso é sempre a lição número um. Eu tenho uma visão diferente dessa situação da que meu aluno teve, mas não posso esperar que vejamos tudo da mesma forma. Eu não concordei com sua atitude, mas não posso esperar que ele tenha a vivência e os anos de experiência que eu carrego comigo hoje. Eu já estive no lugar dele.

“Por fim, creio que o camarada lá aprendeu a lição, e tenho certeza de que o Ruben também aprendeu. Sei que esse acontecimento, de alguma forma, serviu de exemplo para muitos faixas-pretas e atletas em geral repensarem suas atitudes em situações desse tipo. Na vida, como no Jiu-Jitsu, nós nunca perdemos – ou ganhamos ou aprendemos. Oss!”

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