Faixa-marrom absoluto comenta 100% de finalizações no Brasileiro Sem Kimono November 01 2013

Felipe Cesar e um de seus ataques favoritos. Foto: Kinya Hashimoto/ Divulgação

Um dos atletas mais elogiados após o Brasileiro de Jiu-Jitsu Sem Kimono, evento da CBJJ realizado no último sábado no Tijuca Tênis Clube, foi um faixa-marrom. A promessa Felipe Cesar, 24 anos, faturou o ouro no peso médio e no absoluto, finalizando todos os seus adversários, no ginásio do Tijuca Tênis Clube.

Em conversa com GRACIEMAG, Felipe deu sua receita de sucesso, inspirada no giro e nos ataques sempre com uma opção, e se disse confiante para repetir o triunfo no Mundial Sem Kimono, a partir de amanhã em Long Beach, na Califórnia. Confira:

GRACIEMAG: Mesmo sem ser um dos atletas mais pesados do absoluto, você pegou todo mundo, inclusive o vice-campeão Marcos Aurélio (Game Fight). Como você define seu estilo?

FELIPE CESAR: Gosto de impor meu ritmo sempre com a intenção de finalizar. Sou rápido e flexível, e acho que isso atrapalha os mais pesados e fortes, pois dou muito giro e crio dificuldades para eles me acompanharem. Contra o Marcos, na final do aberto, comecei fazendo guarda sem parar de atacar, fazendo minhas vantagens no placar. Ele chegou a atacar meu pé na americana, mas defendi atacando as costas. Saí e pus os ganchos nas costas para estrangular.

Você colecionou joelhos e pés no Rio. Qual é a dica para ter boas finalizações da cintura para baixo? Você treina esse arsenal de ataques desde a faixa-azul?

Não, comecei a treinar mais esses ataques depois que peguei a marrom este ano. Mas esse estilo encaixou bem no meu jogo, pois eu me emborco bastante e dou muito giro. Com isso, os joelhos e pés dos oponentes sempre sobram. Para ajustar bem o leglock, quando você estiver fazendo guarda, minha dica é entrar bem embaixo do adversário, assim eles ficam mais leves quando você os joga para o alto. Quando eles tentam defender a raspagem, com as mãos no chão, eles ficam com as pernas para o alto e essa é a hora para você girar, ficar emborcado e pegar joelhos e pés. É importante estar com o lombar e as pernas bem fortes para suspender os adversários.

Quando você começou no Jiu-Jitsu?

Comecei a treinar em julho de 2008 em Araçatuba, SP, na Gabas/Barbosa, por incentivo de um primo faixa-preta. Logo no primeiro treino me amarrei e com um mês fui competir, mas perdi. Isso me deu mais vontade de treinar. Sempre fui competitivo desde criança e queria ganhar todas, por isso encaro qualquer sacrifício. Saí do interior e vim para São Paulo capital, pois decidi viver do Jiu-Jitsu e cada vez mais fico empolgado. É o que amo fazer, treinar e sair na porrada nos campeonatos [risos]. É o que espero fazer mais uma vez no Mundial Sem Kimono, estou confiante.

Você se considera um lutador mais tático ou mais instintivo?

Eu treino e me dedico muito, mas gosto de um Jiu-Jitsu sem pensar em estratégias. Fui construindo esse jogo de finalizações nos treinos. Sempre tive o intuito de finalizar, mas meu mestre Barbosa sempre insistiu muito para eu chegar às posições boas e não perdê-las mais. Apanhei muito com o shinai dele, pois perdia muitas posições boas [risos]. Mas o segredo é lutar sem obrigação, para se divertir, e aí as vitórias surgem.

Comente um pouco sobre sua final no peso médio, em que você reencontrou a fera Cantídio de Figueiredo Setenta (Alliance). Como foi?

Sabia que seria luta dura, pois já havia perdido para ele na final do Brasileiro de 2012. Impus um ritmo forte e acabei finalizando no braço. Comecei a atacar o leglock da guarda e quando o Cantídio foi defender a perna, deixou o braço. Com isso, travei o braço dele com o leglock engatado, para ele não perceber o que eu ia fazer. Nesse momento fiz a troca rápida e girei para o armlock e ajustei.

Para relembrar os resultados completos do campeonato, visite CBJJ.com.br.