FREE SHIPPING to the U.S. on ALL ORDERS!

Tudo o que você sempre quis saber sobre a guarda no Jiu-Jitsu

Em fevereiro de 2009, GRACIEMAG publicou a reportagem de capa abaixo, destrinchando os aspectos mais importantes da guarda, posição essencial nos ringues e dojôs. Confira, reveja e assine logo sua GRACIEMAG para mais reportagens como essa, capazes de levar seu Jiu-Jitsu, e sua leitura, a um outro patamar.

Rilion Gracie faz guarda durante o treino

Rilion ensinando guarda aos alunos em Miami. Foto: Ray Santana.

Sim, você nem lembra, mas já nasceu fazendo guardinha, esperneando. Se parou de treinar por uns tempos o vacilo foi seu. Afinal, a posição, eterna salva-vidas dos lutadores de Jiu-Jitsu nos ringues, já estava consagrada há tempos. Anos. Séculos.

Quem olhar a obra-prima “Riña en el Mesón del Gallo”, tela de um dos melhores pintores de todos os tempos, se não o melhor, Francisco Goya, pode observar a seguinte cena: uma briga de bar, espanhóis dando pauladas para todos os lados. No centro da tela, um cara em posição superior parece… estar passando a guarda! Bem, deve-se ter um pouco de imaginação para ver isso.

Mas a criatividade esteve sempre ligada à guarda. Num livro obscuro, encontrado nas prateleiras do estudioso Márcio Feitosa, professor da Gracie Barra, pode-se ler uma teoria de que pigmeus africanos já valorizavam, no combate corpo-a-corpo, a técnica de manter as pernas entre o feroz agressor e o seu nariz. Espernear, portanto, sempre foi a salvação.

O quadro de Goya, pintado em 1777, está hoje no Museu do Prado, em Madri.

Foi o Jiu-Jitsu brasileiro, no entanto, que melhor explorou e valorizou a guarda, como a arte de se defender no chão e equalizar os pesos do agressor e do agredido. Mais do que o judô, sambo ou qualquer outra.

Mas, e os japoneses? Não foram eles que criaram a técnica? Não existem escolas até hoje que priorizam a parte de grappling no judô, parte esta chamada por eles de newaza? Sim, é verdade. Perguntemos, então, a um especialista como o carioca Flávio Canto, o chão mais ofensivo do judô mundial, como ele vê a questão.

“Acho o Jiu-Jitsu brasileiro excepcional. Sua grande contribuição para o newaza mundial, e para o jogo de guarda, foi aliar uma quantidade tão grande de praticantes com a criatividade do brasileiro. Daí surgiu toda a gama de posições e situações inéditas, consagradas hoje”, diz o medalhista olímpico em Atenas-2004. “Guarda-aranha, por exemplo, eu nunca vi antes em lugar nenhum, é coisa do Jiu-Jitsu brasileiro. Outro aspecto positivo da arte é cair fazendo guarda e virando-se sempre de frente para o adversário, afinal ninguém tem olho na nuca. É este reflexo que falta a muitos judocas e wrestlers.”

De pedra em pedra, a muralha

Quando aportou no Brasil no início do século XX, o japonês Conde Koma não trouxe apenas um eficaz jogo de pernas, aprendido com afinco pelo jovem Carlos Gracie. Passou também lições orientais de disciplina, saúde e honra que permeariam a história da família para sempre. Buscando espalhar a arte que lhe dava tantos benefícios, Carlos começou a fazer história – e a escrever também a história da guarda. “Ele foi o primeiro ocidental a superar um campeão oriental, em 1924, numa época em que os japoneses achavam os ocidentais uns degenerados”, lembra o filho Rilion Gracie, considerado a melhor guarda da família. Foi contra Geo Omori, quando o grande mestre puxou para a guarda e aplicou um tomoe-nage, o popular “balão”, e caiu montado. O Gracie então estalou o braço do valente japonês, que mandou a luta seguir com as veias saltadas.

Mais tarde, em 1951, quando o irmão Helio Gracie fechou a guarda e, com seus pulsos (fortes até hoje), pôs o exímio judoca Jukio Kato para dormir, num estrangulamento de gola, a arte da guarda estava consagrada. E pronta para continuar sendo desenvolvida, graças à criatividade e suor de outros Gracies, Barretos, Hemetérios, Machados, Vigios, Alves, Virgílios, Gomes, Behrings, Duartes, Penhas, Jucás, Castello Brancos, Góes, Vieiras, Santos e Silvas. E até um Stambowsky. Cada novo fiel adepto da guarda ia dando sua contribuição, depositando uma pedra aqui, cimentando ali, e ajudando a erguer a reputação da guarda como essência do Jiu-Jitsu.

A metáfora de construção, na verdade, não é gratuita. Para Carlos Gracie Jr., a posição de guarda é como a fortaleza que dá segurança ao lutador. Você não perde necessariamente a guerra se não tem uma muralha sólida, mas que ajuda, ajuda. Inclusive para, do alto dela, postar seu arsenal ofensivo: “A guarda é a fortaleza do lutador de Jiu-Jitsu. Você escolhe se prefere lutar com ela aberta ou fechada”, ensina.

“Numa guerra, o mais inteligente é o quê?”, indaga Carlinhos. “Começar a guerra de portões fechados. Na guarda fechada, você está guerreando com o inimigo fora dos seus muros. Se o cara abre sua guarda, ele derruba sua porta levadiça. É a posição limítrofe, que obviamente exige nova estratégia. Se ele invadir, ou seja, passar sua guarda e chegar do lado, a batalha começa a se desenrolar dentro dos seus domínios, com você muito mais exposto. Complicou, vai exigir o triplo de força para você se defender, mas não quer dizer que não haja saída.”

O escudo vira arma

No Rio dos anos 1950, o Jiu-Jitsu já era famoso por dar a qualquer magrinho a chance de ser sua própria fortaleza. Foi, então, a vez de Carlson Gracie dar sua contribuição à guarda – primeiro em seus tempos de lutador, depois com seus alunos. Competitivo ao extremo, Carlson começou a especializar seus alunos, para ganhar os campeonatos. Era quando bradava: “Ou és guardeiro, ou és passador”. Se o leitor perguntar quem foram seus melhores pupilos, quatro bons guardeiros estarão certamente na lista: Cássio Cardoso, Ricardo de la Riva, Sergio Bolão e Murilo Bustamante.

“Há o mito de que o Carlson só treinava passadores de guarda. Mas além do De la Riva, ele tinha outro aluno, Marcelo Duque Estrada, o Homem-Polvo, hoje juiz, que tinha uma guarda incrivelmente elástica”, comenta o mestre faixa-coral Redley Vigio. “Cássio Cardoso, por exemplo, era completo. Mas a guarda dele de fato marcou: todo estudante de Jiu-Jitsu devia assistir à sua luta de uma hora de duração contra Marcelo Behring, em 1988. Marcelo também tinha uma senhora guarda, e o final é sensacional. Está toda no Youtube.”

Grandes para a época, com cerca de 76kg, Cássio tinha no aluno de Rickson Gracie seu maior rival, e a luta de uma hora foi o tira-teima entre os dois, realizado na Lagoa, na casa de shows Jardim Babilônia, ex-Roxy Roller. “Carlson me disse para puxar para a guarda e cansá-lo. Usei até uma raspagem que aprendi com Marcio Macarrão, mas na época não valia ponto. No fim, passei a guarda três vezes e ele passou uma, 6 a 2, na pontuação da época. Hoje, seria algo como 21 a 5”, comenta Cássio, de 46 anos.

Até 1994, não bastava o lutador de baixo inverter a luta e cair por cima para ganhar os pontos de raspagem – tinha de fazê-lo usando apenas golpes reconhecidos, como o tomoe-nage, ou o pé na virilha, ou a tesoura clássica, entre outros poucos. Com a reforma de regras, proposta pela recém-inaugurada Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu, bastava aos guardeiros passar a ficar por cima para faturar dois pontos. Eles agora estavam prestigiados. E prontos para surpreender.

“A guarda, que até 1994 era mais um escudo, passou a ser a arma que podia decidir a luta. Lembro de ter visto na academia, em 1987, Renzo Gracie fazer guarda-aranha pela primeira vez. Como ele era um cara com muitos recursos, usava pouco nas competições. Eu, magrinho, adorei a invenção e surpreendi muita gente”, lembra Vinicius Magalhães, o Draculino, de 37 anos. O show dos guardeiros começava. No mesmo ano, com o gancho de fora enrolado pelo seu pé largo e mole, Ricardo de la Riva conseguiu parar o ímpeto do praticamente imbatível Royler Gracie, e ganhou uma guarda com seu nome.

Com um “joelho morto”, como lembra, Roberto “Gordo” Corrêa foi obrigado a improvisar e também deixou sua marca na arte. “A meia-guarda, que até então podia ser considerada uma posição favorável ao atleta de cima, quase tão boa para atacar como do cem-quilos, é hoje uma posição perfeita para o cara de baixo contra-atacar. Não tem jeito, o Jiu-Jitsu segue em franca evolução”, observa Carlinhos Gracie.

Perna dura? Ok, você ainda pode ser um ótimo guardião

Difícil falar na evolução da posição sem citar dois outros foras-de-série. Roberto “Roleta” Magalhães, o engenheiro das raspagens, influenciou uma geração com golpes novos, armadilhas improváveis que superaram, nos Mundiais, craques de diversas gerações – de Wallid Ismail (1996) a Zé Mario Sperry (1998), de Amaury Bitetti (1999) a Fernando Margarida (2000). Não à toa, os três donos das guardas mais admiradas da atualidade – Rubens Cobrinha, Bráulio Estima e Roger Gracie – consideram a ele, Roleta, o melhor que já viram lutar. Outro exímio guardeiro, com finalizações surreais, foi Antonio “Nino” Schembri, que também deu novo ritmo ao Jiu-Jitsu ofensivo – no caso, o rock de seu ídolo Elvis Presley.

Alongados, de pernas fortes e flexíveis, os dois ases da Gracie Barra ajudaram a solidificar o mito de que guarda eficiente é guarda elástica, quase mágica. Não necessariamente. Árbitro da batalha entre Roleta e Wallid, no Mundial 1996, o policial Sergio Ignácio cansou de treinar com as melhores guardas da Gracie Barra. Passador dos bons, forte, adepto daquele jogo de amassar, viu-se num dilema na faixa-marrom: “Ou eu aprendia a fazer guarda, ou Carlinhos não me graduaria faixa-preta. Foi quando expus meu problema para Renzo, e ele me deu o pulo do gato que acabaria com meu temor de fazer guarda: a boa reposição não exige elasticidade, abertura de pernas – basta você não deixar o cara passar da linha do seu joelho. Essa lição facilita muito para repor”.

A partir daí, seu jogo de guarda pode ganhar asas. Como o “Carcará” Bráulio Estima revela: “Quando eu ataco, faço de trás para a frente. Primeiro, bloqueio a defesa do adversário para o meu ataque, e só depois busco o golpe fatal. São ajustes mínimos. A primeira coisa a fazer é quebrar a postura do adversário. Aí trabalho e tento anular sua defesa, antes mesmo de atacar. Assim, se eu ataco um triângulo mas o cara defende, acaba sobrando um braço. Hoje, o bom guardeiro não é aquele que defende a melhor passagem do adversário, e sim aquele que não deixa o adversário começar a aplicar sua melhor passagem. Não se pode deixá-lo desenvolver seu melhor jogo. É o famoso ‘passo à frente’”.

Para você chegar a um estágio avançado, porém, jamais se esqueça de construir uma base sólida, para sua muralha não ruir: “Quem quer ter uma boa guarda deve aprender e treinar todas as etapas da guarda”, diz Fabio Gurgel, líder da Alliance. “Primeiro fechada, com o adversário de joelhos; depois com o mesmo em pé; depois a guarda clássica com pé na virilha e suas variações. Insista no básico, que depois seu biótipo e seu tipo de jogo vão certamente definir o que é ideal para você.” Pronto, agora você está pronto para espernear – desta vez, com toda a classe.

Older Post
Newer Post
Close (esc)

Popup

Use this popup to embed a mailing list sign up form. Alternatively use it as a simple call to action with a link to a product or a page.

Age verification

By clicking enter you are verifying that you are old enough to consume alcohol.

Search

Shopping Cart

Your cart is currently empty.
Shop now

Net Orders Checkout

Item Price Qty Total
Subtotal $0.00
Shipping
Total

Shipping Address

Shipping Methods