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Do baú: Como nasce um campeão absoluto?

Rodolfo em foto de Carlos Ozório.

Não é de hoje que a GRACIEMAG e o GRACIEMAG.com estão de olho em Rodolfo Vieira, o maior destaque do Mundial 2011. Antes mesmo de darmos a primeira capa da vida do faixa-preta, na edição 170, Rodolfo já figurava no nosso site e revista.

Na edição 164, em outubro de 2010, contamos um pouco da história do novato faixa-preta, que já acreditávamos se tratar de um dos futuros expoentes na principal graduação. Optamos pelo título “A locomotiva”, uma metáfora do talento e disposição do lutador com a vida que levou até se tornar o campeão que é hoje. No entanto, não estaríamos errados se usássemos o título “Como nasce um imbatível?”, a opção que foi deixada de lado. Afinal, de lá para cá Rodolfo foi praticamente imbatível enquanto vestiu o kimono.

Abaixo, reproduzimos o texto da matéria publicada na GRACIEMAG #164, uma oportunidade de o leitor, além de aprender lições valiosas ensinadas por Rodolfo, saber mais sobre história do atleta. A reportagem foi feita num dia quente no Méier, onde fica a matriz da GFTeam, quando experimentei um dia no estilo do antigo cotidiano de Vieira, nos trilhos do trem.

Confira:

Rodolfo no djô da GFTeam, no Méier. Foto de Carlos Ozório.

Se o Jiu-Jitsu é a arte de se manter confortável no desconforto, o faixa-preta Rodolfo Vieira já sai na frente dos adversários. É que antes mesmo de chegar à academia, o passageiro grandalhão de 21 anos já precisa brigar por espaço contra cotovelos, ombros, bundas e sovacos, nos apinhados trens que ligam Campo Grande, onde mora, ao Méier, onde treina quase diariamente.

Entre as estações, ambulantes oferecem produtos dos mais diversos, de petiscos e refrigerante a aparelhos eletrônicos. Deficientes pedem esmola, enquanto milhares dividem espaço, indo e vindo da jornada de trabalho. A conversa, geralmente, é em voz alta. O rapaz com kimono embaixo do braço e orelhas desgastadas pelo treino passa despercebido. Poucos acreditariam que o rapaz que ganhou fama nos dojôs do subúrbio carioca hoje é respeitado em ginásios na Califórnia ou na rica Abu Dhabi, Nos Emirados Árabes.

Os perrengues sob os trilhos têm compensado. Hoje o simpático Rodolfão acumula vitórias sobre nomes consagrados do esporte, como os campeões mundiais Bráulio Estima e Bernardo Faria. Segundo seus mestres, pode chegar muito mais longe. GRACIEMAG não duvida, e tenta desvendar como nasce um lutador vitorioso, quem sabe o próximo bicho-papão da arte suave.

A estrela da academia Grappling Fight Team (GFTeam) começou no Jiu-Jitsu em 2003. Os bons resultados logo fizeram que o lutador percorresse de trem, quase diariamente, o percurso de seu bairro na zona oeste do Rio ao Méier, localização da matriz da equipe, onde os treinos são mais fortes.

“Só de ir de Campo Grande à GFTeam e voltar sinto como se eu fizesse mais um treino! É cansativo, diferente de treinar ao lado de casa. Parto sempre meio-dia e chego lá às 14h. A volta é dolorida. Muitas vezes saía do treino morto e tinha de voltar em pé no trem”, conta Vieira, aos risos.

Como muitos garotos, Rodolfo viu o Jiu-Jitsu surgir na sua vida de modo despretensioso, com o apoio do grande incentivador, Sérgio Srour. Pai de Rodolfo, Srour é um grandalhão que, dizem, jamais perdeu para o filho (nem para seus amigos) numa disputa de queda-de-braço, além de ser um amante do Jiu-Jitsu, embora não pratique.

“Comecei a treinar para emagrecer, estava meio gordinho na adolescência. Sempre fazia uma brincadeira com o meu pai. A gente se embolava no chão, na pura grosseria. Meu pai pesa uns 114kg, mas também nunca havia treinado. Foi quando pedi para ele me levar na academia. Quando lutei o primeiro campeonato, em 2005, ganhei. Depois disso passei a treinar todos os dias.”

Após conversar com seus professores, Bruno Sousa e Arlans Maia, que foram alunos do mestre Júlio Cesar na GFTeam no Méier, Rodolfo passou a frequentar treinos mais duros, com mais treino e um time acostumado a competições.

Ao contrário das desgastantes jornadas de trem, no Jiu-Jitsu Vieira flutuou suavemente entre as faixas. Em 2007, foi peso e absoluto no Campeonato Brasileiro, na faixa-azul; em 2008, peso e absoluto no Brasileiro, já de faixa-roxa; no mesmo ano, na marrom, venceu o Campeonato Mundial absoluto; em 2009, Rodolfo bateu grandes faixas-pretas na seletiva para o World Pro, e voltou de Abu Dhabi com o título do evento, depois de vencer pedreiras como Bráulio. O resultado valeu a faixa-preta no desembarque, assim que pisou no saguão do aeroporto internacional do Rio de Janeiro.

“Fico até assustado por ter ficado tão pouco tempo em cada faixa. A verdade é que sempre treinei muito desde 2007, meu primeiro ano de adulto. Treinava pela manhã, tarde e noite”, reflete.

Na faixa-preta, o peso pesado Rodolfo parou nas quartas-de-final do Mundial 2009, contra o eventual vice-campeão Alexandre de Souza. No Rio Open 2010, em julho, Rodolfo sobrou e venceu peso e absoluto. “Você vê, ainda nem lutei o Brasileiro de faixa-preta, por exemplo”, lembra. “Tive uma série de lesões em 2010, mas no próximo quero ganhar o Brasileiro no peso e no absoluto, e o Mundial, ao menos na categoria. Ano que vem vou correr atrás desses títulos. Também penso em lutar algum dia vale-tudo, mas ainda tenho muito a conquistar no Jiu-Jitsu.”

Ele admite que ainda falta muita estrada para ser considerado um dos grandes da história do esporte, mas o objetivo é esse. A fama de imbatível se constrói na medida em que derrota seus principais adversários, muitos deles caras que já o derrotaram anteriormente. Ponha nessa lista oponentes poderosos como Antonio Braga Neto, Alexandre de Souza e Alexandro Ceconi. Onde esse trem vai parar?

Seis perguntas para Rodolfo Vieira, campeão absoluto do último Rio Open

Na época da entrevista, Rodolfo ainda sonhava em fazer a final mundial do absoluto, como na foto de Ivan Trindade.

O que é mais importante no treinamento?
Até a faixa-roxa, o correto é treinar muita posição. Acho errado o cara na
faixa-azul, por exemplo, priorizar a preparação física ou algo assim. Até a
faixa-marrom, quando venci o absoluto no Mundial, só treinava Jiu-Jitsu.
Não adianta ter gás e ficar ruim tecnicamente. O ideal é sempre fazer
posições. Depois, tem que dividir bem a preparação física com o descanso,
alimentação e muita parte técnica.

Como você reage nas derrotas?

Quando perco, na verdade fico meio com medo de lutar de novo com
o adversário. Mas, na hora da luta, esqueço isso. Procuro assistir aos
combates dos oponentes. O último cara de quem perdi foi o Alexandro
Ceconi. Sabia que ele era muito bom em pé e que tinha de cair por cima
contra ele. Então treinei muitas quedas, muitas defesas das quedas que ele
aplica e, na hora de enfrentá-lo novamente, deu tudo certo. Até hoje só houve um cara de quem perdi e não devolvi o revés, o Leandro Athaídes, da
Nova União. Mas não me preocupo com isso. Se tivermos de lutar de novo,
lutamos.

Como você reage nas vitórias?
Temos que corrigir nossos erros não apenas quando perdemos, mas quando
vencemos também. É preciso ver aquela situação em que nos sentimos
incomodados, onde o adversário nos complicou. Chego na academia e
converso com mestre Júlio e ele me corrige. Tem que treinar muito o
básico, treinar de tudo. Há posições que achamos que nunca vamos fazer,
mas, em alguma hora, vamos precisar dela.

Você treina muito posições em que se sente desconfortável?
Na academia sou o maior guardeiro e jogo sempre por baixo, porque acho
que essa é uma deficiência minha. Tenho muita confiança em passar a
guarda e trocar em pé, com as quedas. A verdade é que temos que treinar
bem as nossas dificuldades, fazer muita repetição. Tem que repetir muito.

Para ser campeão mundial absoluto hoje é necessário passar pelo
tricampeão Roger Gracie. Como derrotar um lutador que se mostra
cada vez mais imbatível?
Esse é dureza! Para tentar ganhar dele, tem que ser por cima. Você vê que
ele pega os melhores guardeiros e tira os caras para nada. Ganhar dele
por baixo é quase impossível. Tem é que treinar muito judô e derrubá-lo. É
complicado, mas impossível não é.

Qual conselho você daria a um novato que sonha em ser campeão?
Para ser campeão é só treinar. Mas, primeiro, temos de procurar ser boas
pessoas. Ser amigo na academia, aprender a ajudar. Para ser bom de Jiu-
Jitsu, é acreditar e treinar, não tem muito mais a fazer.

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